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Q1/2026 foi um trimestre fraco e sazonalmente pressionado: lucro de R$ 194 mi (-59% vs Q1/2025), margens em compressão e queima operacional de caixa — a tendência de melhora de 2024-25 deu uma trincada.
Último trimestre: o que entregou
Receita de R$ 7,6 bi (Q1/2026), forte no topo (+21,3% a/a), mas a conversão para baixo decepcionou: lucro bruto de R$ 1,4 bi (margem 17,7%), EBIT de R$ 424 mi (margem operacional 8,1%) e lucro líquido de apenas R$ 194 mi, contra R$ 471 mi no Q1/2025 — queda de quase 59%. A despesa financeira de -R$ 459 mi praticamente devorou o EBIT. E daí? O trimestre mostra que o operacional ainda não tem folga para absorver o custo da dívida — o lucro virou resíduo.
Série desde 2020 — tendência
A virada foi real: a receita saiu de R$ 4,4 bi (2024T1) para R$ 13,7 bi (2024T4) e R$ 14,3 bi (2025T4) nos trimestres fortes, e a margem EBITDA subiu de 11,4% (2024T1) ao pico de 15,8% (2024T3). Mas 2025-26 mostra reversão na margem: EBITDA recuou para 12,5% (2025T3), 11,4% (2025T4) e 11,4% (Q1/2026). A margem operacional caiu de 10,9% (2025T1) para 8,1% (Q1/2026). E daí? O topo de margem ficou para trás no curto prazo; a tendência de lucro está achatando, não acelerando.
Qualidade do lucro (recorrência, não-recorrentes)
O lucro da Embraer é volátil e sazonal por natureza de entregas — basta ver o salto de cagr_lucro de +237,3% no 2025T1 (efeito base sobre Q1/2024 fraco) que não se repetiu. A margem líquida de 4,0% em Q1/2026 é a mais magra desde a retomada, e grande parte do resultado é sensível a variação cambial e financeira, não a ganho operacional puro. E daí? É lucro de baixa qualidade neste trimestre: pouco recorrente, muito exposto ao financeiro e ao timing de entregas.
Conversão em caixa (FCF) e disciplina de capital
O caixa operacional foi negativo em -R$ 2,1 bi em Q1/2026 — mas isso é o padrão sazonal de primeiro trimestre da companhia (-R$ 1,5 bi em 2024T1, -R$ 1,1 bi em 2025T1), reflexo do build de estoque para entregas do ano. O FCF reportado de R$ 809 mi e o capex de R$ 818 mi mostram que a empresa ainda investe pesado. E daí? Não dá para condenar a queima de Q1 isoladamente — é estacional — mas a disciplina de capex elevado num trimestre de lucro fraco aperta a margem de erro para o resto do ano.
▼ Riscos
Achatamento de margem
Margem operacional caiu de 10,9% para 8,1% em quatro trimestres — se persistir, o lucro do ano frustra.
Lucro refém do financeiro
Despesa financeira (-R$ 459 mi) quase igual ao EBIT (R$ 424 mi) deixa o resultado líquido frágil.
▲ Oportunidades
Sazonalidade favorável no 2º semestre
Histórico mostra T4 forte (R$ 14,3 bi de receita em 2025T4) que recompõe caixa e lucro.
Alavancagem operacional
Com receita a +21%, voltar a margem EBITDA de 14% multiplicaria o lucro por entrega.