Agente · Precificação
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A R$ 11,19, CEAB3 negocia a 5,9x lucro e 0,9x patrimônio com ROE de 15,8% — é desconto explícito de qualidade. Âncora de valor justo em R$ 14,50 (29,6% de upside), via re-rating parcial de múltiplos para a média própria recente.
Múltiplos atuais (P/L, P/VP, EV/EBITDA, DY)
O snapshot do 2T26 é de ação descontada: P/L de 5,9x, P/VP de 0,9x, EV/EBITDA de 2,8x e DY de 4,66%. Um EV/EBITDA de 2,8x para um varejista com margem EBITDA de 17% e desalavancado é simplesmente barato em termos absolutos — paga-se menos de três anos de EBITDA pelo enterprise value inteiro. E daí? Quando se compra a empresa por 0,9x o próprio patrimônio enquanto ela gera 15,8% sobre esse patrimônio, o mercado está dizendo que não acredita na perpetuidade desse retorno — e é exatamente aí que mora o upside.
Múltiplos vs. próprio histórico
Contra a própria série, CEAB está no piso. O P/VP de 0,9x no 2T26 compara com 1,8x no 2T25 e 1,1x no 4T25 — caiu pela metade em um ano sem que os fundamentos piorassem (ROE subiu no período). O EV/EBITDA de 2,8x é o menor da série inteira desde 2023 (vinha de 3,7x-6,8x). E daí? Houve um de-rating violento de múltiplo, não de fundamento — a ação ficou mais barata enquanto a empresa ficou melhor, o que é a definição de janela de entrada.
Múltiplos vs. setor/pares
O varejo de moda de capital aberto na B3 (Renner, Guararapes, Lojas Marisa) negocia em faixa heterogênea, mas um par de qualidade como Renner historicamente roda EV/EBITDA de 6-9x e P/L de teens. CEAB a 2,8x EV/EBITDA e 5,9x P/L está com desconto relevante mesmo ajustando por ser número-dois de mercado. E daí? O desconto setorial só se justifica se a qualidade de CEAB for estruturalmente inferior — e com ROE de 15,8% e dívida líquida zero, o desconto está exagerado.
O que o preço de hoje embute
A R$ 11,19, com P/VP de 0,9x e ROE de 15,8%, o preço embute uma deterioração de retorno: implicitamente o mercado projeta o ROE convergindo para abaixo do custo de capital (caso contrário P/VP < 1,0x é inconsistente com ROE > Ke). Em outras palavras, o preço já paga por um cenário de reversão de margem. E daí? Basta a empresa apenas sustentar o ROE atual — não precisa crescê-lo — para que o P/VP justo migre para 1,1-1,2x e destrave o reapreçamento.
Enquadramento de valor (faixa justa + preço-alvo)
Triangulo três métodos: (i) P/VP justo de 1,15x sobre book por ação implica preço próximo de R$ 14-15; (ii) P/L de 7,5x sobre LPA de 1,93 dá ~R$ 14,5; (iii) EV/EBITDA de 4,0x (ainda abaixo do histórico) corrobora faixa semelhante. Convergência sustenta faixa de valor justo de R$ 13,50–15,50 e preço-alvo âncora de R$ 14,50, 29,6% acima dos R$ 11,19. E daí? Mesmo com re-rating conservador (não pede múltiplo de pico), há quase 30% de margem — COMPRAR com convicção.
▼ Riscos
Múltiplo barato pode ser value trap
Se o ROE reverter para <12% (margem operacional já caiu para 11,94% no 2T26), o P/VP de 0,9x deixa de ser desconto e vira preço justo.
Beta alto do papel
EV/EBITDA oscilou de 6,8x (2025T2) para 2,8x (2026T2) em um ano — volatilidade de múltiplo elevada amplia risco de timing.
▲ Oportunidades
Re-rating para média histórica
Voltar ao P/VP de 1,1x (nível 4T25) já entrega ~20% sem nenhuma melhora de fundamento.
Catalisador de dividendo
DY de 4,66% com balanço limpo pode atrair fluxo de renda e comprimir o gap de valuation.