Agente · Precificação
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Múltiplos de BRKM5 estão quebrados pela base negativa: P/L de -1,0x e P/VP de -0,6x não têm leitura tradicional. O que sustenta o preço é EV/Receita, e mesmo aí o valor justo aponta para baixo. Âncora de preço-alvo: R$ 6,50, downside de ~30%.
Múltiplos atuais (P/L, P/VP, EV/EBITDA, DY)
Os múltiplos de lucro e patrimônio estão sem sentido econômico: P/L de -1,0x e P/VP de -0,6x (Q2/2026) só refletem lucro e PL negativos — você não 'paga 1x prejuízo'. O EV/EBITDA de 61,8x (Q2/2026) é absurdamente caro porque o EBITDA está pisado (R$ 784 mi no 2026T1). O dividend yield é 0,0% (2026T1) — não há retorno de caixa ao acionista. E daí? Não dá para ancorar valuation em P/L ou P/VP aqui; o único múltiplo utilizável é o EV sobre receita ou sobre EBITDA normalizado.
Múltiplos vs. próprio histórico
O P/VP era 2,7x no 2025T4 e virou -0,6x no Q2/2026 — não é de-rating, é colapso do denominador (PL cruzou para negativo). O EV/EBITDA saltou de 25,2x (2025T2) para 61,8x (Q2/2026), passando pelo pico grotesco de 131,6x (2025T3), revelando um EBITDA volátil e perto de zero. E daí? A série histórica não oferece um múltiplo 'médio' confiável para reversão à média — a empresa saiu do regime em que múltiplos contábeis fazem sentido.
Múltiplos vs. setor/pares
Petroquímicas globais saudáveis (Dow, LyondellBasell, Westlake) negociam tipicamente a 5-7x EV/EBITDA normalizado. BRKM5 a 61,8x (Q2/2026) parece um outlier caríssimo, mas isso só diz que o EBITDA está deprimido — num EBITDA de meio de ciclo o múltiplo cairia. O EV/Receita de 0,1x (Q2/2026) destoa do histórico de ~1,2-1,5x, sugerindo distorção pontual de cálculo de EV. E daí? Contra pares, a Braskem não está 'barata' — está num ponto de ciclo em que múltiplo nenhum é confiável sem normalizar EBITDA.
O que o preço de hoje embute
A R$ 9,24, o mercado precifica não o fluxo de caixa atual (negativo: FCF yield de -144,8% no 2026T1) mas a probabilidade de um resgate de capital ou de virada de ciclo do spread. O preço embute, na prática, uma opção: se o EBITDA normalizar para a faixa de R$ 8-10 bi/ano e a dívida for reperfilada, há valor; se não, o equity subordinado tende a zero. E daí? Comprar a R$ 9,24 é pagar prêmio de opção sobre um evento binário — caro para quem busca margem de segurança.
Enquadramento de valor (faixa de valor justo + preço-alvo)
Por EV/EBITDA normalizado (assumindo EBITDA de meio de ciclo ~R$ 6 bi a 6x = EV ~R$ 36 bi, menos dívida líquida de R$ 93,5 bi) o equity teórico é negativo — coerente com PL de -R$ 15,7 bi. O preço de mercado já reflete valor de opção, não de fluxo. Ancoro a faixa de valor justo em R$ 5,50–7,50, com preço-alvo de referência R$ 6,50, downside de ~30% contra os R$ 9,24. E daí? Rating VENDER — o papel está caro até para padrão de turnaround, porque o downside (zeramento do equity) é estruturalmente maior que o upside.
▼ Riscos
Múltiplos contábeis inutilizáveis
P/L e P/VP negativos impedem valuation tradicional; qualquer alvo depende de EBITDA normalizado, que é incerto.
Equity subordinado a R$ 93,5 bi de dívida
Numa reestruturação, o acionista comum recebe por último — preço-alvo pode ir bem abaixo de R$ 6,50.
▲ Oportunidades
Re-rating violento na virada de spread
EBITDA normalizado de R$ 8-10 bi a 6x reduziria drasticamente o EV/EBITDA e poderia reabrir valor de equity.
Capitalização/controle
Injeção de capital reduziria dívida líquida e poderia destravar prêmio sobre o preço deprimido.