Agente · Precificação
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A R$ 7,45 a Wiz negocia a 6,7x lucro e 1,7x EV/EBITDA — o EV/EBITDA mais barato dos últimos três anos contra um DY de 7,71%. O P/L parece esticado contra a própria história, mas é miragem do PL encolhido; a métrica de empresa (EV) grita desconto. Faixa justa R$ 8,30-9,30, âncora R$ 8,80.
Múltiplos atuais
Fotografia Q2/2026: P/L 6,7x, P/VP 1,8x, EV/EBITDA 1,7x, EV/Receita 1,0x e DY 7,71%. O conjunto é contraditório de propósito — P/L e P/VP no topo do histórico, EV/EBITDA e EV/Receita no fundo. A reconciliação está no patrimônio: PL caiu para R$ 687 mi, o que joga P/VP e P/L para cima mecanicamente, enquanto o enterprise value (que ignora o PL) mostra a empresa barata de verdade. E daí? Quem olha só P/L acha caro; quem olha EV/EBITDA vê a pechincha — e EV é a métrica certa para corretora com dívida líquida zero.
Múltiplos vs. próprio histórico
O EV/EBITDA de 1,7x (Q2/2026) é o menor de toda a série — comprime ante 2,6x (1T2026) e bem abaixo dos 3,2-3,4x de 2023. O EV/Receita de 1,0x também é o piso, contra média de ~1,2-1,3x. Já o P/L de 6,7x dobrou ante os 4,0x do 1T2026, mas isso é artefato do PL menor, não de preço pago por lucro. E daí? Na métrica que não depende da estrutura de capital, o papel está mais barato do que esteve em três anos — é desconto, não esticada.
Múltiplos vs. setor/pares
Corretoras e plataformas de seguros B2B no Brasil costumam negociar acima de 6-8x EV/EBITDA pela recorrência e baixa intensidade de capital. A Wiz a 1,7x EV/EBITDA é uma fração disso — desconto que reflete tanto o risco de canal quanto a iliquidez do papel. Mesmo aplicando um haircut generoso de liquidez/governança, 1,7x é descontado demais para um ativo com ROIC de 34,87%. E daí? O desconto setorial existe por razões reais, mas está exagerado; há margem de re-rating só por convergência parcial ao par.
O que o preço de hoje embute
A R$ 7,45 e 1,0x EV/Receita, o mercado precifica crescimento de receita praticamente nulo e nenhum prêmio pela qualidade do retorno — incoerente com um CAGR de receita de 13,84% e lucro de 22%. O preço embute, na prática, que a margem EBITDA de ~52% reverte e que os contratos de canal não renovam. É um cenário de stress já no preço. E daí? O downside parece protegido pelo próprio múltiplo deprimido; o risco/retorno é assimétrico para cima.
Enquadramento de valor
Aplicando um EV/EBITDA-alvo conservador de ~2,5x (ainda abaixo da média histórica de 2,4-3,2x e muito abaixo de pares) sobre o EBITDA corrente, e cruzando com um DY-alvo de 7% sobre o dividendo recorrente, chego a uma faixa de valor justo de R$ 8,30 a R$ 9,30, âncora R$ 8,80 — upside de 18,1% sobre R$ 7,45, mais o carrego de ~7,7% de dividendo. E daí? COMPRAR: paga-se barato por caixa, com dividendo financiando a espera.
▼ Riscos
P/L de 6,7x assusta o investidor de varejo
Quem ancora na métrica errada vê 'caro' e não compra, mantendo o desconto de EV vivo por mais tempo.
Iliquidez do papel
Spread e volume baixos exigem haircut de múltiplo permanente e dificultam a captura do re-rating.
▲ Oportunidades
EV/EBITDA no piso histórico
1,7x contra média de ~2,5x dá re-rating só por reversão à própria média, sem precisar de surpresa operacional.
Carrego de dividendo durante a espera
DY de 7,71% paga o investidor para aguardar o fechamento do desconto.