Agente · Saúde Financeira
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SEQL3 está em insolvência técnica caracterizada: patrimônio líquido negativo de -R$ 777 mi, liquidez corrente de 0,17 e dívida bruta de R$ 940 mi contra R$ 11 mi de caixa — o pior perfil de crédito possível para uma empresa ainda listada.
Estrutura de capital (DL/EBITDA, DL/PL + série)
A estrutura de capital está rompida. DL/EBITDA de -1,5x (Q3/2025) é negativo porque o EBITDA é negativo — a métrica perdeu utilidade, o que por si só é um alerta vermelho. DL/PL de -1,2x é negativo porque o PL é negativo (-R$ 777 mi); a série mostra o PL virando do positivo R$ 321 mi (2024T3) para -R$ 925 mi (2024T4), o trimestre da baixa contábil que destruiu o equity. A dívida líquida é de R$ 929 mi (Q3/2025). E daí? Não há estrutura de capital sustentável — há um passivo que excede tudo que a empresa vale, com o acionista em posição residual zerada.
Liquidez (corrente, seca)
A liquidez é de pré-default: liquidez corrente de 0,17 (Q3/2025) significa R$ 0,17 de ativo circulante para cada R$ 1,00 de obrigação de curto prazo — o ativo circulante de R$ 136 mi cobre menos de um sexto do passivo circulante de R$ 826 mi. A liquidez seca é igual (0,17), pois os estoques são zero (negócio de serviço). A série despencou de 1,14 (2022T4) para 0,17, com piora contínua. E daí? A empresa não tem como honrar o curto prazo com recursos próprios; depende de rolagem/renegociação a cada vencimento — risco de inadimplência iminente.
Cobertura de juros vs. setor
A cobertura de juros é negativa e portanto inexistente: o EBIT de -R$ 59 mi (Q3/2025) não cobre nada das despesas financeiras de -R$ 47 mi — a empresa não gera resultado operacional sequer para pagar os juros, quanto mais o principal. Num setor logístico saudável a cobertura EBIT/juros fica acima de 2-3x; aqui é negativa. E daí? Cada trimestre a dívida tende a crescer pela capitalização de juros não pagos via geração — é um buraco que se aprofunda sozinho.
Geração de caixa e sustentabilidade da dívida
A dívida é insustentável pela geração própria. Com caixa operacional de -R$ 41 mi (Q3/2025) e caixa em conta de apenas R$ 11 mi contra dívida bruta de R$ 940 mi, a relação caixa/dívida é de ~1,2% — a empresa tem fôlego de semanas, não de anos. A redução da dívida líquida de R$ 1,7 bi (2025T2) para R$ 929 mi (Q3/2025) veio de renegociação/conversão, não de amortização com caixa gerado. E daí? A dívida só é 'administrável' enquanto os credores aceitarem renegociar; é sustentabilidade emprestada, não conquistada.
Mapa de riscos de crédito
Mapa ponderado: (1) Insolvência patrimonial [peso alto] — PL de -R$ 777 mi, equity contabilmente zerado; (2) Iliquidez de curto prazo [peso alto] — corrente 0,17, passivo circulante de R$ 826 mi vencendo sem cobertura; (3) Incapacidade de servir juros [peso alto] — EBIT negativo não cobre os R$ 47 mi de despesa financeira; (4) Dependência de renegociação [peso médio-alto] — a queda da DL veio de conversão, não de caixa; (5) Subinvestimento [peso médio] — capex zerado corrói a capacidade futura de gerar caixa. E daí? É um perfil de crédito equivalente a 'default-iminente/D'; o equity é a tranche que apanha primeiro.
▼ Riscos
Recuperação judicial
Liquidez de 0,17 e PL de -R$ 777 mi (Q3/2025) configuram quadro clássico de pedido de RJ, que tipicamente dizima o equity.
Aceleração de dívida (cross-default)
Cobertura de juros negativa pode disparar cláusulas que tornam toda a dívida de R$ 940 mi imediatamente exigível.
▲ Oportunidades
Desalavancagem por conversão
DL caiu de R$ 1,7 bi (2025T2) para R$ 929 mi (Q3/2025); credores convertendo dívida em equity aliviam o serviço da dívida.