Agente · Saúde Financeira
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Estrutura de capital em estado crítico: DL/EBITDA de 19,3x e DL/PL de 15,9x configuram uma empresa tecnicamente à beira da insolvência patrimonial. A cobertura de juros é fracionária — a operação não paga nem metade dos próprios juros. Risco de crédito máximo.
Estrutura de capital (DL/EBITDA, DL/PL + série)
A alavancagem é insustentável: DL/EBITDA disparou de 14,5x (Q1/2025) para 19,3x (Q1/2026), e o DL/PL saltou de 6,2x para 15,9x no mesmo período — este último porque o patrimônio líquido derreteu para R$ 356 mi enquanto a dívida líquida subiu para R$ 5,7 bi. A dívida bruta é R$ 5,8 bi. E daí? Com PL representando menos de 7% da dívida líquida, o equity é uma fatia residual; estamos diante de uma empresa cujo capital é quase inteiramente de terceiros — clássico perfil pré-reestruturação.
Liquidez (corrente, seca)
Aparentemente o único ponto 'ok': liquidez corrente de 1,60 e seca de 1,53 no Q1/2026 — ativo circulante de R$ 1,5 bi cobre o passivo circulante de R$ 926 mi. Mas isso é enganoso: o ativo circulante é pesado em recebíveis de operadoras (sujeitos a glosa e prazo), e o caixa em si é só R$ 142 mi. E daí? A liquidez contábil dá fôlego de balanço, mas a liquidez de caixa real é fina — R$ 142 mi não cobrem nem um trimestre de despesa financeira de R$ 175 mi.
Cobertura de juros vs. setor
A cobertura de juros (EBIT/despesa financeira) é de apenas 0,2x no Q1/2026 (R$ 35 mi / R$ 175 mi) — a operação gera só 20% do necessário para pagar os juros, quanto mais o principal. Setores saudáveis exigem cobertura acima de 2-3x. E daí? Uma cobertura abaixo de 1x significa que a dívida cresce só de carregá-la; é a definição matemática de uma bola de neve financeira — insustentável sem reestruturação ou injeção de capital.
Geração de caixa e sustentabilidade da dívida
Insustentável. O caixa operacional foi -R$ 49 mi e o FCF -R$ 157 mi no Q1/2026 — a empresa não gera caixa para amortizar nada; ao contrário, queima. Com EBITDA anualizado de ~R$ 270 mi contra dívida líquida de R$ 5,7 bi, levaria mais de duas décadas de EBITDA inteiro só para zerar a dívida. E daí? Não há cenário orgânico em que esta dívida se paga; a única saída é renegociação com deságio, alongamento ou conversão em capital — todas ruins para o acionista.
Mapa de riscos de crédito (fatores ponderados)
Cinco fatores ponderados: (1) Alavancagem [peso 35%] — DL/EBITDA 19,3x, crítico; (2) Cobertura de juros [peso 25%] — 0,2x, crítico; (3) Liquidez de caixa [peso 20%] — caixa R$ 142 mi insuficiente, alto; (4) Solvência patrimonial [peso 15%] — DL/PL 15,9x com PL derretendo, crítico; (5) Geração de caixa [peso 5%] — FCF -R$ 157 mi, alto. E daí? Score de crédito composto no território 'default iminente/reestruturação' — é VENDER com convicção máxima; o acionista está subordinado a uma pilha de dívida que a empresa não consegue honrar.
▼ Riscos
Default / reestruturação compulsória
DL/EBITDA 19,3x e cobertura de juros 0,2x tornam o serviço da dívida matematicamente impossível no orgânico.
Wipeout patrimonial
PL de R$ 356 mi consumido a -R$ 145 mi/trimestre pode zerar em poucos trimestres, levando a equity quase nulo.
▲ Oportunidades
Liquidez contábil compra tempo
Liquidez corrente de 1,60 dá margem de negociação com credores antes de um evento de crédito agudo.