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A receita cresce de leve, mas a linha que importa — o lucro — afunda há nove trimestres seguidos. A despesa financeira (R$ 175 mi) é 5x o EBIT (R$ 35 mi): a operação trabalha de graça para o banco. Qualidade de lucro inexistente.
Último trimestre: o que entregou
No Q1/2026 a Kora reportou receita líquida de R$ 616 mi (recorde da série, +10% vs R$ 560 mi no Q1/2025), mas entregou prejuízo líquido de R$ 145 mi e margem líquida de -19,0%. O EBIT foi R$ 35 mi e o EBITDA R$ 67 mi, ambos engolidos pela despesa financeira de R$ 175 mi. E daí? A empresa vende mais e perde mais — o crescimento de topo não chega na última linha porque a estrutura de capital confisca tudo.
Série desde 2020 — tendência
A receita trimestral subiu de R$ 565 mi (Q1/2024) para R$ 616 mi (Q1/2026) — crescimento modesto. Mas a margem bruta caiu de 20,8% para 18,3% e a margem líquida desabou de -6,0% (Q1/2024) para -19,0% (Q1/2026). O prejuízo líquido piorou de -R$ 25 mi (Q1/2024) para -R$ 145 mi (Q1/2026), com o tranco do Q4/2025 (-R$ 168 mi). E daí? A tendência é inequívoca: topo de linha estável, fundo de linha em colapso acelerado — o oposto de uma empresa em recuperação.
Qualidade do lucro (recorrência, não-recorrentes)
Não há lucro para discutir qualidade — há prejuízo recorrente e estrutural. O EBIT até é positivo e razoavelmente recorrente (R$ 35-87 mi nos últimos trimestres, exceto o -R$ 13 mi do Q4/2025), o que mostra que a operação não é o problema. O problema é 100% financeiro: a despesa de juros (R$ 175 mi) sozinha vira qualquer resultado em prejuízo. E daí? A 'qualidade' aqui é que o buraco é financeiro e recorrente — não some com um trimestre bom de operação; só some renegociando a dívida.
Conversão em caixa (FCF) e disciplina de capital
A conversão de caixa é péssima: caixa operacional de -R$ 49 mi e FCF de -R$ 157 mi no Q1/2026, apesar de um capex baixíssimo de R$ 21 mi. Ou seja, mesmo cortando investimento ao osso, a empresa queima caixa. O caixa em mãos caiu de R$ 262 mi (Q4/2025) para R$ 142 mi (Q1/2026) — uma sangria de R$ 120 mi num único trimestre. E daí? Com R$ 142 mi de caixa queimando neste ritmo, a janela de liquidez é curta — o relógio está correndo e a disciplina de capital virou racionamento de sobrevivência.
▼ Riscos
Sangria de caixa acelerada
Queima de R$ 120 mi em um trimestre contra caixa de R$ 142 mi sugere risco de liquidez de curtíssimo prazo.
Pressão de margem persistente
Margem bruta caindo (18,3%) com inflação médica encarecendo OPME e pessoal.
▲ Oportunidades
EBIT operacional resiliente
A operação ainda gera EBIT positivo — se a dívida for resolvida, há um negócio viável embaixo do escombro financeiro.