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Q1/2026 foi um trimestre fraco em volume e lucro — receita de R$ 330 mi e lucro de R$ 42 mi, o menor desde a recuperação — com margem boa porém sem conversão em caixa; é um trimestre de qualidade contábil decente e qualidade de caixa ruim.
Último trimestre: o que entregou
A Even reportou receita líquida de R$ 330 mi em Q1/2026, o menor patamar trimestral de toda a série (abaixo dos R$ 337 mi de 2025T1 e bem distante dos R$ 570 mi de 2025T2). O lucro líquido caiu para R$ 42 mi, contra R$ 73 mi no 2025T4 e R$ 99 mi no 2025T3 — desaceleração sequencial clara. O EBIT de R$ 27 mi e o EBITDA de R$ 29 mi confirmam um trimestre operacionalmente magro. E daí? O resultado é fraco na linha de cima e no fundo; só a margem segura a narrativa.
Série desde 2020 — tendência
A leitura plurianual mostra duas tendências cruzadas. Receita em retração: de picos de R$ 939 mi (2023T4) e R$ 923 mi (2024T2) para o piso de R$ 330 mi (Q1/2026). Mas a margem líquida subiu de forma consistente — de 8,4% (2023T2) para 14,3% (Q1/2026), com a margem bruta indo de 21,5% para 27,5% no mesmo intervalo. O lucro, porém, ainda não recompôs: R$ 130 mi (2023T4) virou R$ 42 mi (Q1/2026). E daí? A Even está menor e mais rentável por real vendido, mas o ganho de margem não compensou a perda de escala — lucro absoluto regrediu.
Qualidade do lucro (recorrência, não-recorrentes)
O lucro de Q1/2026 é de qualidade contábil razoável — margem operacional de 12,0% sustenta o resultado na operação, não em linha financeira ou não-recorrente (despesa financeira de apenas -R$ 11 mi). A ressalva está no histórico volátil: a empresa já entregou prejuízo operacional em 2024T3 (EBIT -R$ 48 mi) e lucro quase zero em 2024T4, mostrando que o resultado é sensível a reconhecimento de obra (PoC). E daí? O lucro de hoje é operacional e limpo, mas a volatilidade do PoC torna qualquer trimestre isolado um sinal fraco — preciso de tendência, não de foto.
Conversão em caixa (FCF) e disciplina de capital
Aqui o trimestre decepciona: o FCF voltou ao negativo em -R$ 55 mi (Q1/2026), revertendo a sequência positiva de 2025T2 a 2025T4 (+R$ 243 mi, +R$ 237 mi, +R$ 101 mi). O caixa operacional foi -R$ 78 mi, consumido por capital de giro/obras. O capex de R$ 13 mi é imaterial — o negócio não é intensivo em ativo fixo, é intensivo em estoque. Chamou atenção dividendos pagos de apenas R$ 11 mil no caixa do trimestre, apesar de payout contábil de 54,8%. E daí? A geração de caixa recaiu para terreno negativo no ciclo de obra; a 'disciplina' aqui é não ter distribuído de fato no trimestre — caixa apertado manda na política de dividendos.
▼ Riscos
Lucro absoluto regredindo
R$ 42 mi (Q1/2026) é menos de um terço do pico de R$ 130 mi (2023T4) — recuperação de margem não repõe escala perdida.
FCF de volta ao vermelho
-R$ 55 mi (Q1/2026) interrompe quatro trimestres de geração e reabre questão de cobertura de dividendos.
▲ Oportunidades
Margem em patamar recorde
Margem bruta de 27,5% (Q1/2026) é a maior da série e alavanca lucro quando o volume voltar.
Lucro operacional limpo
Margem operacional de 12,0% com despesa financeira contida (-R$ 11 mi) indica resultado de operação, não de engenharia contábil.