Agente · Precificação
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A R$ 5,58 (09/06/2026) a Even negocia a 0,6x patrimônio com 11,1% de dividend yield — desconto que mais que compensa o retorno apenas mediano; valor justo na faixa de R$ 6,50–7,40, âncora R$ 7,00.
Múltiplos atuais
O snapshot de Q1/2026 entrega um papel barato em quase toda métrica de equity: P/L de 4,9x e P/VP de 0,6x são múltiplos de empresa em estresse, não de uma incorporadora com margem líquida de 14,3%. O dividend yield de 11,1% supera a NTN-B real com folga. A exceção gritante é o EV/EBITDA de 18,6x — mas esse múltiplo está contaminado pela dívida bruta de R$ 3,0 bi sobre um EBITDA trimestral deprimido de R$ 29 mi, distorção típica de incorporadora. E daí? Pelas lentes de equity (P/L, P/VP, DY) o papel é claramente barato; o EV/EBITDA aqui é ruído, não sinal.
Múltiplos vs. próprio histórico
Contra a própria série, o P/VP de 0,6x está praticamente no piso histórico — oscilou de 0,4x (2023T2) a no máximo 0,7x (2025T4), ou seja, o papel nunca foi caro a livro. O P/L de 4,9x está bem abaixo do pico distorcido de 15,0x (2025T2, quando o lucro afundou) e em linha com a base saudável de 4,5x (2023T4). O DY de 11,1% recompôs após cair a 5,4% (2025T3). E daí? A Even não está num extremo de barganha histórica de P/VP, mas também não há prêmio embutido — está barata e estável no seu próprio range.
Múltiplos vs. setor/pares
Incorporadoras de médio/alto padrão na B3 negociam tipicamente entre 0,7x e 1,1x patrimônio quando o ROE supera o custo de capital. A Even a 0,6x está no quartil inferior do setor — desconto coerente com seu ROIC fraco (2,9%) e receita em queda, mas exagerado frente a uma margem bruta de 27,5% que rivaliza com os melhores pares. E daí? O desconto setorial é parcialmente merecido (retorno), parcialmente exagerado (margem) — é exatamente essa assimetria que cria o upside.
O que o preço de hoje embute
A 0,6x patrimônio, o mercado precifica que a Even continuará gerando ROE abaixo do custo de capital indefinidamente — embute estagnação de lucro e nenhum re-rating cíclico. Com PEG de 0,73 (Q1/2026), o preço nem sequer paga pelo crescimento de lucro já entregue (CAGR de lucro +6,8%). E daí? O preço atual exige pessimismo permanente; qualquer normalização do ROE em direção a 13-14% justifica facilmente 0,8x livro.
Enquadramento de valor
Com valor patrimonial implícito de ~R$ 9,30/ação (preço R$ 5,58 ÷ P/VP 0,6x) e um múltiplo-alvo justo de 0,7x–0,8x livro — coerente com ROE de ~12% contra COE de ~15% —, a faixa de valor justo fica em R$ 6,50–7,40. Cruzando com P/L: 6x sobre o lucro anualizado sustenta patamar semelhante. Âncora central: R$ 7,00, upside de 25,4% sobre R$ 5,58, sustentado por um DY de 11,1% que paga a espera. E daí? COMPRAR, com a ressalva de que o re-rating depende de o ROE não recuar — é um trade de valor com carrego, não de qualidade.
▼ Riscos
Value trap
P/VP 0,6x pode persistir se o ROIC de 2,9% (Q1/2026) não convergir ao custo de capital — barato continua barato.
Dividendo não sustentável
DY de 11,1% com FCF yield de -4,1% (Q1/2026) sinaliza distribuição não coberta por caixa próprio.
▲ Oportunidades
Re-rating de múltiplo
Saída de 0,6x para 0,8x livro implica ~33% só de expansão de múltiplo, sem crescer lucro.
Carrego pago
Yield de 11,1% (Q1/2026) remunera a espera pelo re-rating, raro num papel a P/L 4,9x.