Agente · Saúde Financeira
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O balanço é o ponto forte da tese: dívida líquida praticamente nula, cobertura de juros confortável e caixa robusto. O risco de crédito é baixo — a fragilidade está na sustentabilidade da política de dividendos, não na solvência.
Estrutura de capital (DL/EBITDA, DL/PL + série)
A CMIN opera com alavancagem mínima: DL/PL de 0.0x e DL/EBITDA de 0.0x no 2T26. A série mostra uma virada importante — a empresa era caixa líquido negativo (DL/EBITDA -0.9x no 2T25, dívida líquida de -R$ 5.1 bi) e migrou para dívida líquida levemente positiva de +R$ 287 mi no 1T26. E daí? Saiu de posição de caixa líquido folgado para neutralidade, drenada pelos dividendos — ainda é uma estrutura de capital invejável, mas a almofada de caixa líquido que existia evaporou em poucos trimestres.
Liquidez (corrente, seca)
A liquidez corrente está em 1.37 (2T26) e a seca em 1.28 (1T26) — adequadas, mas bem mais apertadas do que os 2.79/2.62 do 1T24. O passivo circulante saltou para R$ 9.2 bi (1T26) enquanto o ativo circulante recuou para R$ 12.7 bi. E daí? A folga de liquidez encolheu pela metade em dois anos, consumida pela distribuição de proventos e pelo aumento de obrigações de curto prazo — ainda solvente com conforto, mas a margem de segurança não é mais a de antes.
Cobertura de juros vs. setor
A cobertura de juros está em 5.5x (4T25), estável e até crescente na série (era 4.9x em 2023), e o EBIT de R$ 924 mi cobre folgadamente as despesas financeiras de -R$ 378 mi (1T26) — mais de 2x só no trimestre. E daí? O serviço da dívida não é problema; a empresa gera EBIT mais do que suficiente para honrar juros mesmo no vale de lucro. Crédito tranquilo nesse quesito, acima da média de mineradoras alavancadas.
Geração de caixa e sustentabilidade da dívida
Aqui está o calcanhar: a dívida bruta é estável em R$ 9.1 bi (1T26), mas a geração de caixa para abatê-la sumiu — caixa operacional de só R$ 71 mi (1T26) e FCF de R$ 257 mi. O caixa em mãos caiu de R$ 15.2 bi (4T24) para R$ 8.8 bi (1T26). E daí? A dívida é sustentável pelo tamanho, mas a tendência preocupa: se o FCF não reagir e os dividendos seguirem agressivos, o caixa que hoje cobre a dívida bruta encolhe — solvência intacta, mas trajetória a vigiar.
Mapa de riscos de crédito (fatores ponderados)
Ponderando: (1) Risco de refinanciamento — BAIXO, dívida líquida ~zero e cobertura 5.5x; (2) Risco de liquidez — MÉDIO-BAIXO, corrente 1.37 mas em queda; (3) Risco de política de dividendos — ALTO, payout que chegou a 146.7% (3T25) drena caixa e PL; (4) Risco de ciclo/receita — ALTO, exógeno e fora de controle; (5) Risco de governança — MÉDIO, controladora CSN orienta o caixa. E daí? O risco de crédito clássico é baixo; o risco real é a gestão escolher distribuir mais do que gera e empurrar o balanço de neutro para alavancado.
▼ Riscos
Política de dividendos drenando o balanço
Payout de até 146.7% (3T25) levou o caixa de R$ 15.2 bi para R$ 8.8 bi e zerou o caixa líquido.
Liquidez em compressão
Corrente caiu de 2.79 (1T24) para 1.37 (2T26); a almofada encolheu pela metade.
▲ Oportunidades
Alavancagem mínima dá blindagem
DL/EBITDA 0.0x e cobertura 5.5x permitem atravessar o vale do ciclo sem stress financeiro.
Capacidade de tomar dívida barata
Balanço desalavancado abre espaço para financiar capex/expansão sem comprometer a solvência.