Agente · Saúde Financeira
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O balanço é a joia da coroa: dívida bruta zero, caixa líquido estrutural e liquidez folgada. Em risco de crédito, a Grazziotin é praticamente AAA doméstico — não há cenário de estresse de solvência plausível.
Estrutura de capital (DL/EBITDA, DL/PL + série)
Dívida bruta é R$ 0 em toda a série desde 2023T2 — a empresa simplesmente não toma dívida financeira. A dívida líquida é negativa: -R$ 156 mi (2026T1), com DL/EBITDA de -1,3x e DL/PL de -0,2x (Q2/2026), estáveis há três anos. E daí? Estrutura de capital 100% equity, sem alavancagem, sem risco de refinanciamento, sem covenant — o oposto do varejo alavancado típico; o balanço por si só justifica um prêmio de qualidade que o preço não dá.
Liquidez (corrente, seca)
A liquidez corrente está em 2,36 (Q2/2026) e a seca em 1,57 (2026T1) — ambas confortáveis, com ativo circulante de R$ 527 mi cobrindo folgadamente o passivo circulante de R$ 223 mi (2026T1). A seca acima de 1,5 mostra que mesmo descontando os estoques de R$ 176 mi a empresa honra o curto prazo. E daí? Não há aperto de capital de giro; a liquidez sobra, o que dá margem para sustentar dividendo mesmo em trimestre fraco.
Cobertura de juros vs. setor
A cobertura de juros está em 5,5x (2025T4), em tendência de alta desde os 4,9x de 2023 — e isso para uma empresa sem dívida, onde a despesa financeira de -R$ 10 mi (2026T1) é o custo do funding do crediário, não de empréstimos. E daí? Enquanto pares alavancados viram a cobertura despencar com a Selic alta, a Grazziotin melhorou a sua; é resiliência de cobertura sem paralelo no setor.
Geração de caixa e sustentabilidade da dívida
Sem dívida para sustentar, o caixa de R$ 156 mi (2026T1) e o FCF robusto financiam dividendo e capital de giro com folga. O caixa oscila com a sazonalidade (R$ 207 mi em 2024T4, R$ 147 mi em 2025T4) mas nunca ameaça a solvência. E daí? A 'sustentabilidade da dívida' aqui é um não-problema; a pergunta real é se a empresa devolve caixa demais via dividendo extraordinário (payout 154% em 2025T4) e drena a reserva — risco de gestão de caixa, não de crédito.
Mapa de riscos de crédito (fatores ponderados)
Risco de solvência: desprezível (peso alto, mitigado por caixa líquido). Risco de inadimplência do crediário: moderado (peso médio — CCC em 57 dias e exposição à baixa renda). Risco de drenagem de caixa por dividendo extraordinário: baixo-moderado (peso médio — payout 154% em 2025T4 foi pontual). Risco de liquidez de mercado da ação: alto (peso baixo no crédito, alto no preço). E daí? O perfil de crédito é de altíssima qualidade; o único vetor real de atenção é a disciplina na política de distribuição, não a capacidade de pagamento.
▼ Riscos
Drenagem de caixa por dividendo extraordinário
Payout de 154% em 2025T4 (R$ 129 mi) sugere distribuição acima do lucro, consumindo reserva.
Inadimplência latente do crediário
CCC alongado para 57 dias (2025T4) pode esconder pressão de recebíveis na baixa renda.
▲ Oportunidades
Balanço sem dívida, raro no varejo
Dívida bruta R$ 0 e DL/EBITDA -1,3x (2026T1) eliminam risco de solvência e refinanciamento.
Cobertura de juros em alta
5,5x (2025T4) vs 4,9x (2023) contra a maré do setor alavancado.