Agente · Saúde Financeira
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Balanço é o ponto de ruptura: DL/EBITDA de 26,6x, dívida líquida de R$ 8,3 bi e despesa financeira que sozinha (R$ 906 mi) supera o EBIT (R$ 629 mi). Crédito frágil — a sustentabilidade depende inteiramente de juros caírem.
Estrutura de capital (DL/EBITDA, DL/PL + série)
DL/EBITDA de 26,6x em Q1/2026 é número de empresa em estresse — e melhorou vindo de picos absurdos de 44,1x (2025T3) e 42,5x (2024T4). O DL/PL de 2,7x mostra que a dívida líquida vale quase três patrimônios. A série é cronicamente alta: nunca abaixo de 21x desde 2023. E daí? A estrutura de capital é a tese e o risco ao mesmo tempo — qualquer leitura de DL/EBITDA na casa de 26x classifica como crédito altamente alavancado.
Liquidez (corrente, seca)
Aqui há respiro: liquidez corrente de 1,95 e seca de 1,21 em Q1/2026 — ambas em recuperação (corrente saiu de 1,42 em 2025T2). Com ativo circulante de R$ 5,5 bi contra passivo circulante de R$ 2,8 bi, o curto prazo está coberto. E daí? Não há crise de liquidez imediata — a empresa paga as contas do trimestre; o problema é a alavancagem de longo prazo, não o caixa de amanhã.
Cobertura de juros vs. setor
Este é o sinal mais grave. O EBIT de R$ 629 mi NÃO cobre a despesa financeira de R$ 906 mi — cobertura de juros abaixo de 1x neste trimestre. Pares de alimentos com balanço saudável operam cobertura de 4-8x. E daí? A empresa não gera EBIT suficiente para pagar os próprios juros com folga — está rolando dívida, não amortizando, e isso é a definição de fragilidade de crédito.
Geração de caixa e sustentabilidade da dívida
Caixa operacional de R$ 491 mi não cobre capex de R$ 463 mi mais o serviço da dívida — daí o FCF de -R$ 1,3 bi. A dívida bruta de R$ 10,3 bi contra caixa de R$ 2,0 bi deixa R$ 8,3 bi líquidos. A sustentabilidade depende 100% de refinanciamento e de queda da Selic. E daí? A dívida só é sustentável num cenário benigno de juros; num choque, vira problema de solvência.
Mapa de riscos de crédito
Fatores ponderados: (1) Alavancagem — PESO ALTO, DL/EBITDA 26,6x; (2) Cobertura de juros <1x — PESO ALTO, EBIT não paga juros; (3) Queima de caixa — PESO ALTO, FCF -R$ 1,3 bi crônico; (4) Risco de refinanciamento — PESO MÉDIO, dívida bruta R$ 10,3 bi a rolar em Selic alta; (5) Liquidez de curto prazo — PESO BAIXO, corrente 1,95 confortável. E daí? Três fatores de peso alto acendem luz vermelha — o equity é uma opção residual sobre um balanço esticado.
▼ Riscos
Cobertura de juros abaixo de 1x
EBIT de R$ 629 mi não paga os R$ 906 mi de juros — rolagem, não amortização
DL/EBITDA de 26,6x
alavancagem em patamar de estresse deixa o equity refém do credor e da Selic
▲ Oportunidades
Liquidez corrente saudável (1,95)
afasta risco de default de curto prazo e dá tempo para desalavancar
DL/EBITDA recuando de 44x para 26x
tendência de desalavancagem, se sustentada, reduz o prêmio de risco de crédito