Agente · Saúde Financeira
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Balanço em zona de estresse: DL/EBITDA de 7,8x, DL/PL de 7,6x e cobertura de juros abaixo de 1x significam que a operação não gera lucro suficiente para pagar os próprios juros. É o pior fundamento da empresa e o que define o rating.
Estrutura de capital (DL/EBITDA, DL/PL + série)
A alavancagem deteriorou de forma acelerada: DL/EBITDA subiu de 5,0x (4T23) para 8,1x (1T25) e está em 7,8x (2T25); DL/PL explodiu de 2,5x (4T23) para 7,6x (2T25). A dívida líquida saltou de R$ 6,6 bi para R$ 16,5 bi no mesmo período — 2,5x em 18 meses. E daí? Não é alavancagem alta e estável; é alavancagem alta e ainda subindo — o quadro mais perigoso.
Liquidez (corrente, seca)
Paradoxalmente, a liquidez de curto prazo parece confortável: liquidez corrente de 2,72x e seca de 2,65x (2T25), com R$ 2,6 bi em caixa e ativo circulante de R$ 7,3 bi contra passivo circulante de R$ 2,7 bi. Estoques baixos (R$ 195 mi) tornam corrente e seca quase iguais. E daí? Não há crise de liquidez imediata — o problema é de solvência de longo prazo, não de caixa de amanhã.
Cobertura de juros vs. setor
Este é o número que condena: o EBIT de R$ 337 mi cobre apenas 0,38x a despesa financeira de R$ 886 mi no 2T25; em base anualizada, EBIT/juros fica em ~0,5x. Empresas de infraestrutura saudáveis operam acima de 2-3x. E daí? Cobertura abaixo de 1x significa que a Ambipar precisa de caixa de outras fontes (FCF, refinanciamento) só para honrar juros — gatilho clássico de reestruturação.
Geração de caixa e sustentabilidade da dívida
O FCF positivo de R$ 655 mi (2T25) é o que mantém a empresa de pé, mas não chega perto de cobrir os ~R$ 2,5 bi de juros anuais nem amortizar os R$ 19,2 bi de dívida bruta. Com caixa de R$ 2,6 bi, a empresa tem fôlego de curto prazo, mas a dívida não é autossustentável no ritmo atual. E daí? A sustentabilidade depende de rolagem contínua a juros altos — exatamente o que vem corroendo o resultado.
Mapa de riscos de crédito (fatores ponderados)
Cinco fatores ponderados: (1) Cobertura de juros <1x — risco ALTO, peso máximo, é o gatilho central; (2) DL/EBITDA 7,8x e subindo — risco ALTO; (3) DL/PL 7,6x com PL encolhendo de R$ 2,8 bi para R$ 2,2 bi — risco ALTO, erosão de colchão; (4) Liquidez corrente 2,72x — risco BAIXO, mitigante real; (5) FCF positivo R$ 655 mi — risco MÉDIO/mitigante. E daí? Saldo claramente negativo: três fatores de risco alto contra dois mitigantes — perfil de crédito frágil, rating VENDER.
▼ Riscos
Cobertura de juros abaixo de 1x
EBIT de R$ 337 mi não cobre os R$ 886 mi de juros — dependência de refinanciamento para solvência.
Erosão acelerada de PL
PL caiu de R$ 2,8 bi para R$ 2,2 bi enquanto a dívida subiu; o colchão de absorção de perdas encolhe.
▲ Oportunidades
Liquidez de curto prazo robusta
Corrente de 2,72x e R$ 2,6 bi em caixa afastam risco de default imediato e dão tempo para reestruturar.
FCF para amortizar
Geração de R$ 655 mi/trimestre dá base de negociação com credores se direcionada a desalavancagem.