Agente · Precificação
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A R$ 8,80, NATU3 negocia a 0,9x book e 5,6x EV/EBITDA — desconto de empresa em liquidação para um ativo que voltou a dar ROIC de dois dígitos. Ancoro valor justo em R$ 10,50 (~1,05x P/VP), upside de 19%. O preço embute pessimismo que os números já não confirmam.
Múltiplos atuais (P/L, P/VP, EV/EBITDA, DY)
P/L é -2,1x (Q2/2026) — inútil, lixo contábil por causa do prejuízo acumulado, ignore. O que importa: P/VP de 0,9x e EV/EBITDA de 5,6x, com EV/Receita de 0,7x. Dividend yield é praticamente zero (payout -0,6% no 2025T2, sem distribuição relevante). E daí? Quando o P/L não serve, o mercado precifica pelo patrimônio e pelo EBITDA — e ambos dizem 'ativo barato e sem prêmio'. 0,9x book é o mercado dizendo que não confia que o patrimônio de R$ 15 bi vale o que está no balanço.
Múltiplos vs. próprio histórico
O P/VP de 0,9x precisa ser lido contra o estrago no denominador: o patrimônio caiu de R$ 28 bi (2023T3) para R$ 15 bi (Q2/2026), então 'abaixo do book' hoje é abaixo de um book já amputado por impairment. O EV/EBITDA de 5,6x é baixo para o setor mas reflete EBITDA ainda modesto (R$ 712 mi no 2025T2). E daí? Não houve de-rating de múltiplo — houve de-rating de empresa. O papel está barato porque a base encolheu, não porque o mercado entrou em pânico irracional.
Múltiplos vs. setor/pares
Cosmético premium global negocia a 15-25x EBITDA; Natura a 5,6x é fração disso. Mesmo descontando risco-Brasil e a âncora-Avon, o gap é gritante. E daí? Ou o mercado acha que a margem nunca normaliza, ou existe assimetria. Como a margem bruta de 66,36% já está em patamar de par premium, a tese de reprecificação por múltiplo tem lastro — falta o EBITDA crescer para o múltiplo baixo virar valor explícito.
O que o preço de hoje embute
A R$ 8,80 com 0,9x book, o preço embute crescimento de receita perpetuamente negativo ou nulo e ROE estruturalmente baixo. Mas o ROIC de 10,09% (Q2/2026) e o lucro de R$ 195 mi (2025T2) contradizem o cenário de estagnação. E daí? O preço precifica o passado (ROE -47%) e ignora a margem incremental do presente. Essa é a assimetria: pago por uma empresa morta um ativo que voltou a respirar.
Enquadramento de valor (faixa de valor justo + preço-alvo)
Faixa de valor justo R$ 9,50–R$ 11,50, centrada em P/VP ~1,0-1,1x sobre patrimônio de R$ 15 bi e validada por ~6,5-7x EV/EBITDA num EBITDA normalizado. Preço-alvo de referência: R$ 10,50, upside de 19,3% sobre R$ 8,80. E daí? Não é uma tese de multibagger — é re-rating de book-value para uma empresa que parou de queimar patrimônio. COMPRAR com convicção moderada; o catalisador é o EBITDA virar lucro recorrente.
▼ Riscos
Book de R$ 15 bi pode sofrer novo impairment
Se Avon LatAm decepcionar, mais write-off derruba o patrimônio e o P/VP de 0,9x deixa de ser piso.
EBITDA baixo não sustenta múltiplo
EV/EBITDA de 5,6x só vira valor se o EBITDA de R$ 712 mi (2025T2) escalar; estagnado, o desconto é justo.
▲ Oportunidades
Compra abaixo do book com ROIC de dois dígitos
0,9x P/VP + ROIC 10,09% é combinação rara — mercado paga preço de empresa ruim por ativo que melhorou.
Re-rating por margem premium
Margem bruta de 66% justifica múltiplo bem acima de 5,6x EV/EBITDA quando o lucro líquido se firmar.