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Q1/2026 foi o melhor trimestre da série: lucro líquido de R$ 1,5 bi e EBIT de R$ 2,0 bi, com margens em máxima. Entrega operacional sólida, mas conversão em caixa é irregular — qualidade boa, recorrência a provar.
Último trimestre: o que entregou
No 2026T1 a B3 reportou receita líquida de R$ 3,2 bi, lucro bruto de R$ 2,9 bi, EBIT de R$ 2,0 bi e lucro líquido de R$ 1,5 bi — recordes da série, com forte recuperação ante o fraco 2025T4 (lucro de R$ 908 mi). A margem EBIT chegou a ~63% da receita. E daí? Foi um trimestre de virada clara após um fechamento de 2025 morno; o mercado já comprou parte dessa recuperação no preço.
Série desde 2020 — tendência
A receita evoluiu de forma consistente — R$ 2,5 bi (2023T2) para R$ 3,2 bi (2026T1) — mas o lucro líquido andou de lado com volatilidade: R$ 1,1 bi (2023T2), R$ 916 mi (2023T4), R$ 1,2 bi (2024T4), R$ 908 mi (2025T4) e salto para R$ 1,5 bi (2026T1). O LPA TTM subiu de R$ 0,86 (2023T4) para ~R$ 0,97. E daí? O top-line cresce em linha reta; o bottom-line é serrote ligado a volume e despesa financeira — a tendência é positiva, mas o trimestre isolado engana.
Qualidade do lucro
O resultado é majoritariamente recorrente — vem de tarifa, não de evento não-caixa — mas é mordido pela despesa financeira: -R$ 463 mi (2026T1), ante -R$ 357 mi (2023T2), reflexo da dívida e da Selic alta. O lucro também é inflado pelo payout elevado de 56,1% (2025T4) sobre um PL que encolheu de R$ 20,3 bi (2023T4) para R$ 18,3 bi, o que mecanicamente turbina o ROE. E daí? Parte do ROE de 27% é alavancagem de balanço enxuto via distribuição, não pura geração — o número é bom, mas menos virtuoso do que aparenta.
Conversão em caixa e disciplina de capital
A conversão em caixa é o ponto fraco: caixa operacional de -R$ 637 mi (2025T1), R$ 2,4 bi (2024T4) e R$ 1,6 bi (2026T1) — oscilação grande para um negócio de tarifa, ligada à dinâmica de garantias/colateral da clearing. O caixa em balanço caiu para R$ 922 mi (2026T1). E daí? O lucro contábil é robusto, mas a conversão em caixa livre é truncada e volátil, o que limita a previsibilidade do dividendo — exatamente quando o DY já caiu a 3,69%.
▼ Riscos
Despesa financeira crescente
saiu de -R$ 357 mi (2023T2) para -R$ 463 mi (2026T1) e come o lucro enquanto a Selic estiver alta
Caixa operacional volátil
de -R$ 637 mi (2025T1) a R$ 2,4 bi (2024T4) — conversão imprevisível
▲ Oportunidades
Margem EBIT em máxima
EBIT R$ 2,0 bi sobre receita R$ 3,2 bi (2026T1) mostra alavancagem operacional intacta
Recuperação pós-2025T4
salto de R$ 908 mi para R$ 1,5 bi de lucro sinaliza normalização de volume