Tesouro Direto
O que é
Existe um devedor no Brasil que paga antes de todos os outros quebrarem: o próprio país. No Tesouro Direto você empresta dinheiro ao governo federal e recebe de volta com juros. É o que o mercado chama de risco soberano, a referência de segurança da renda fixa brasileira. E o melhor: sem cerimônia. Tudo pelo celular, a partir de uns R$ 30, sem gerente te empurrando produto exclusivo no caminho. Se a renda fixa fosse uma escada, o Tesouro seria o primeiro degrau e também o corrimão.
O Tesouro paga exatamente o combinado a quem respeita o combinado: segurar até o vencimento.
Como funciona
A compra é direta pelo aplicativo do banco ou da corretora: você escolhe o título, informa o valor e confirma. O título fica registrado no seu CPF na B3. São três famílias, cada uma com uma personalidade:
- Tesouro Selic acompanha a taxa básica de juros, quase não oscila de preço e resgata a qualquer hora sem surpresa no saldo. É o endereço ideal da reserva de emergência.
- Tesouro IPCA+ paga a inflação oficial mais um juro real fixo, por exemplo IPCA + 6% ao ano. Protege o poder de compra no longo prazo. O preço oscila no meio do caminho, mas quem segura até o vencimento recebe exatamente o combinado.
- Tesouro Pré-fixado trava uma taxa anual na compra, por exemplo 12% ao ano. Garantido se levado ao fim; vendido antes, o preço dança conforme os juros do mercado.
Imposto de renda regressivo: 22,5% para até 180 dias, caindo até 15% acima de 720 dias. Taxa de custódia da B3 de 0,2% ao ano, com isenção para o Tesouro Selic até R$ 10 mil.
Vantagens e desvantagens
Vantagens
- A renda fixa mais segura do país: quem te deve é o governo federal.
- Dá para começar com cerca de R$ 30.
- Compra e venda pelo celular, sem gerente nem produto exclusivo.
- Liquidez diária garantida pelo próprio Tesouro Nacional.
- Prazos e indexadores para praticamente qualquer objetivo.
Desvantagens
- Imposto de renda sobre o rendimento (15% a 22,5%, regressivo no tempo).
- Taxa de custódia da B3 de 0,2% ao ano sobre o estoque (exceto Selic até R$ 10 mil).
- Pré-fixado e IPCA+ vendidos antes do vencimento sofrem marcação a mercado e podem dar prejuízo.
- Pré-fixado é uma aposta no comportamento futuro da inflação e da Selic.
Para quem é indicado
Quase todo investidor brasileiro se beneficia de ter Tesouro na carteira. O Selic faz o papel de reserva de emergência. O IPCA+ é a base dos objetivos de longo prazo: aposentadoria, faculdade dos filhos, o imóvel daqui a dez anos. O Pré-fixado pede mais cuidado, porque exige acertar o cenário de juros, e adivinhar o futuro não é estratégia.
Exemplo prático
Você aplica R$ 5.000 num Tesouro IPCA+ 2035 com taxa de IPCA + 6% ao ano. Com inflação média de 4% ao ano pelos próximos 10 anos, o rendimento bruto fica perto de 10% ao ano.
No fim dos 10 anos: saldo bruto de uns R$ 12.970. O imposto de 15% sobre o ganho leva R$ 1.196, sobrando aproximadamente R$ 11.774 líquidos. O ponto central não é o número: é que esse valor preserva o poder de compra original e ainda soma 6% reais ao ano, com proteção contra inflação escrita em contrato.
Inflação corrói qualquer número que pareça grande. O IPCA+ é o único contrato em que ela trabalha a seu favor.
Os riscos sem rolo
O Tesouro é seguríssimo quando você joga pela regra dele: segurar até o vencimento. O risco aparece quando você quebra essa regra. O IPCA+ e o Pré-fixado sofrem marcação a mercado, o preço sobe e desce todo dia conforme os juros. Vendeu no meio do caminho, num momento ruim, pode sair com menos do que colocou. Não é o governo dando calote. É você saindo na hora errada.
O Pré-fixado carrega um risco a mais: ele é uma aposta no futuro dos juros e da inflação. Travou 12% ao ano e a inflação disparou? Você perde para ela, preso na própria aposta. Para acumular patrimônio sem susto, o caminho calmo é o IPCA+ segurado até o fim. Ele devolve o combinado, corrigido pela inflação, sem depender de bola de cristal.
Aviso regulatório
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